Falar sobre bullying é uma necessidade atual e ao mesmo tempo um desafio, por conta do que o cerca como os tabus, as informações errôneas ou até mesmo simplistas que se multiplicam. O termo bullying deriva de bully que, em inglês, significa “valentão”. Termos como vitimização, maus-tratos entre pares e agressão remetem a diferentes formas de violência, enfatizando ora agressores, ora vítimas, e um caráter sistemático tipo do bullying. Podem se configurar-se por agressões verbais (deboches, ironias, insultos, apelidos, entre outros e físicas como chutes, empurrões, agressões ou relacionais como ameaças, acusações injustas, roubos de dinheiro e pertences, entre outros. Muitas vezes esses comportamentos acontecem na escola, ou imediações do ambiente escolar e atualmente nos ambientes virtuais, o que é nomeado de cyberbullying. Segundo estudos a maior prevalência de bullying acontece entre o final da infância e o início da adolescência entre 11 e 13 anos. Entende -se que o processo esteja relacionado a cognições sociais que os indivíduos constroem para interagir coletivamente, afiliando-se a determinados grupos e excluindo aqueles que não estejam identificados com as características grupais. Essas cognições sociais, influenciadas pela cultura, geram esteriótipos, acerca de grupos e pessoas e podem tornar-se preconceitos. Esta exclusão dos “diferentes” a fim de formar a prórpia identidade e entender e direcionar a experiência no contexto social pode gerar um processo de bullying, seja na infância ou adolescência, se não for identificado ou limitado por adultos e ou profissionais especializados. Por ser um fenômeno complexo, às vezes pode passar desapercebido.

Alguns sinais e sintomas que podem ser indicativos  seja para quem está sofrendo ou praticando o bullying

Medo, agitação, agressividade, problemas de aprendizagem, evasão escolar, ansiedade e depressão. Identificar o processo é o primeiro passo para que se possa adequadamente modificar estes comportamentos, acolhendo as crianças envolvidas, sejam elas vítimas ou agressoras.

Identificando a vítima:

  1. Desconfie se seu filho/ aluno/conhecido estiver mais quieto
  2. Vem apresentando dificuldade aprendizagem
  3. Não tem vontade de ir à escola
  4. Tem apresentado lesões
  5. Tem apresentado mudanças bruscas de humor
  6. Está mais isolado

Identificando o agressor:

  1. Vem apresentando atitudes hostis
  2. Tem mentido
  3. Volta para casa/aula com roupas amarrotadas ou rasgasdas
  4. Tenta demonstrar autoridade sobre outras pessoas
  5. Aparece com objetos e ou dinheiro que não lhe pertencem

Tanto vítimas como agressores e outros envolvidos sofrem. Resultados de uma pesquisa na região de Porto Alegre mostraram que os agressores apresentam índices elevados de depressão, o que alerta assim como a vítima, estes jovens também estão em sofrimento.

Desta forma é necessário um esforço conjunto entre pais, escola e comunidade para pensar e criar estratégias que visam combater, prevenir e ou tratar o bullying, visto que é um fenômeno relacional influenciado por diferentes indivíduos. As estratégias para serem efetivas devem ser focadas nas diversas relações presente no contexto escolar, entre alunos, professores, pais, funcionários e demais pessoas envolvidas com o desenvolvimento das crianças e adolescentes.

O bullying é um fenômeno associado a sérias consequências para os envolvidos. É de extrema importância cada vez mais as intervenções focais ou preventivas. E as diversas formas de manejo deste tipo de violência, para alertar os pais, professores, para uma possível identificação do bullying, contribuindo desta forma para a prevenção dos sintomas associados, e atentos a saúde mental dessas crianças e adolescentes. Ações precoces, minimizam  possivelmente desfechos trágicos, e em alguns casos, evitados. ” Se todos trabalharmos juntos, poderemos criar um ” Mundo livre de Bullying, onde a tolerância será a chave” ( Tina Long )

Referência: Livro- Mitos & fatos sobre Bullying – Orientações para pais e professores Ed. Sinopys

Viviane Rose de Melo

Psicóloga e Neuropsicóloga – CRP 04/ 24890

11 anos de atuação na Psicologia e Neuropsicologia Clínica.

Neuropsicóloga – Fumec/IPqHC-USP, Filiada a SBNP- Sociedade Brasileira de Neuropsicologia Reabilitação Neuropsicológica; Formação em Terapia Cognitivo Comportamental; Especializando em T.C.C Infantil e Adolescência pelo InTCC. Coach – pelo IBC.

Tutor Cogmed – Treinamento da Memória Operacional; Screener de Irlen