As alterações emocionais e comportamentais na doença de Alzheimer

Cuidar de alguém com Alzheimer envolve uma forte carga emocional para cuidadores e familiares. Descubra a melhor forma de compreender as emoções, administrá-las e usá-las como aliadas no dia a dia de cuidados da pessoa com Alzheimer.

Um dos maiores desafios no tratamento de pessoas com demência é o gerenciamento dos transtornos emocionais e comportamentais, tanto em relação ao enfermo quanto aos cuidadores e familiares.

Fato de elevada prevalência no curso clínico da doença e acaba muitas vezes sendo a causa da institucionalização do paciente. Os cuidados não farmacológicos podem ser definidos como cuidados.

É imprescindível que o processo seja iniciado a partir da identificação dos agentes causadores das alterações, tendo em vista que um mesmo distúrbio de comportamento pode ser provocado por uma variedade de causas, tais como efeito de medicação, mudanças ambientais, dificuldades dos cuidadores, problemas somáticos e conflitos inter e intrapessoais, entre outros.

Alterações comportamentais e emocionais comuns em quadro demenciais e formas de administrá-las

O curso da demência apresenta vários grupos de sintomas:

Agitação (desorientação, impaciência, incapacidade de ficar sentado o tempo necessário para fazer a refeição).

Agressão (verbal e física contra a equipe ou outra pessoa).

Verbalizações anormais (grito, berro),

Psicoses (alucinação, delírio).

Sintomas depressivos (apatia, desinteresse).

Comportamentos sexualizados

Distúrbio do sono

Identificação das alterações emocionais e comportamentais

Identificar os gatilhos desses sintomas. Priorizar as intervenções não farmacológicas

* Expressão de tristeza, retração, inatividade, fadiga, culpa e sensação de inutilidade, apatia, choro constante e perda do interesse, podem significar depressão.

* Pacientes com demência aos poucos se afastam de atividades prazerosas e, em decorrência de seus prejuízos cognitivos, se tornam incapazes de identificar atividades substitutivas.

* Alguns métodos para modificar os antecedentes e alterar as consequências do comportamento depressivo incluem auxiliar o paciente a identificar atividades que foram prazerosas no passado e adaptá-las as suas condições atuais; orientá-lo de modo que não se fixe em pensamentos depressivos; incrementar atividades sociais, mas com a eliminação das fontes de conflitos e frustração.

Outro comportamento comum nos quadros demenciais é a agitação, que se manifesta por meio de irritabilidade, inquietude, agressão física e verbal e resistência aos cuidados, podendo ter uma variedade de causas, incluindo gatilhos fisiológicos, ambientais e interpessoais. Além disso, essas causas podem interagir entre si: o paciente pode experimentar agitação em resposta a gatilhos do meio ambiente, como excessos de estimulação ou atividades que ele não compreende (por exemplo estar sendo banhado por um cuidador de quem ele não conhece ou não lembra).

Tratamentos não farmacológicos

Vários avanços vem ocorrendo no sentido de reconhecer a importância das abordagens não farmacológicas no tratamento dos problemas de comportamento em pessoas com demência.

A sociedade Geriátrica dos EUA, e da Associação Americana de Psiquiatria Geriátrica  definiu que após as condições médicas serem avaliadas e tratadas, as alterações de comportamento deveriam ser abordadas por meio de um enfoque não farmacológico.s

Os pacientes necessitam da nossa escuta, observação, empatia e entendimento.

Para podermos ajudá-los adequadamente no momento de suas necessidades.

Cuidados paliativos

Paliativo: do latim= pallium, cobrir, amparar

O alívio do sofrimento, a compaixão pelo doente e seus familiares, o controle impecável dos sintomas e da dor, a busca pela autonomia e pela manutenção de uma vida ativa enquanto ela durar…

O doente de Alzheimer vai perdendo a autonomia então o cuidado paliativo ele chega justamente para isso para dar essa cobertura, esse amparo, ao doente de Alzheimer para que ele se sinta confortável, todos os dias para que ele tenha uma qualidade de vida visto que a doença de Alzheimer é uma doença degenerativa e progressiva

Cuidado paliativo é importante para que ele se sinta mais confortável e não só com o doente de Alzheimer os familiares e os cuidadores precisam de um cuidado emocional por isso o assunto emoções

Como vamos lidar melhor com as emoções, no processo de evolução da doença de Alzheimer.

Importante entender:

1ª lugar as emoções elas são intrínsecas (inconscientes, tem funções especificas, 100% benéficas)

Elas vem de dentro de cada um de nós!

Então eu sinto raiva ou frustração com relação a uma determinada situação.

O meio externo tem alguma influência mas não é responsável pela nossa emoção.

São inconscientes nós não nos damos conta quando a emoção vai chegar!  Ela simplesmente  vem e aí precisamos  saber administrá-la

Algumas emoções que podem envolver o dia a dia nesse processo de cuidados com o paciente com o Alzheimer

A raiva muitas vezes, pode aparecer em determinados momentos! Porque isso está acontecendo? Com minha família? Pai ou mãe

A raiva= função de apontar = injustiça

Quando nós nos sentimos injustiçado automaticamente sentimos raiva.

Fazer leitura da raiva! Para poder lidar com ela.

Emoção = comum = é o medo.

O medo nos traz um recado de auto preservação!

Nesse processo onde nos temos um familiar com a doença de Alzheimer, nós nos vemos ameaçados de perder pessoa amada. Então o medo ele é uma emoção que ronda todo o tempo essa situação quando estamos cuidando de doentes de Alzheimer. Outras emoções como frustração, decepção, a ansiedade.

Vamos aprender a lidar com essas emoções

Existem Também as formas negativas para lidar com essas emoções

abstenção = evitar emoções dolorosas (evitar uma visita ao hospital é uma forma de abstenção, é uma forma de evitar uma emoção ruim)

negação = dissociar da emoção (simplesmente negar que algo está acontecendo)

competição = intensificar a emoção (é quando nós queremos que a nossa emoção, o nosso sofrimento, seja maior do que o sofrimento do outro, ficar intensificando uma emoção, então essas 3 formas )

Algumas formas de lidar com as emoções

1ª reconhecer: reconheça seu estado alterado

2º admitir: experimente dar nome para sua emoção por ex: o que estou sentindo é RAIVA

3º respeitar: busque entender qual é o papel da sua emoção ex: mostrar uma injustiça, o que essa emoção está trazendo,

4º passo é admirar, entender sem emoção não teríamos sobrevivido nós precisamos das emoções para viver o nosso dia a dia.

5º  utilizar o que fazer com essa emoção – a partir de agora saberei interpretar/examinar melhor um estado emocional. Ex; todas as vezes que eu sentir RAIVA procurarei por injustiças, todas as vezes que eu sentir decepção eu vou procurar onde/ eu merco ser mais reconhecida

De importância ao presente!

Os cuidados paliativos estão aí pra isso.  Para dar uma qualidade de vida para o doente de Alzheimer

Naquele momento no presente, dê o conforto, o alívio, e melhore a situação de vida daquela pessoa naquele momento.

Referencias bibliográficas:

  • Neuropsicologia – Aplicações Clínicas – Leandro Malloy – Diniz e Cols.  Artmed -2015
  • Reabilitação Neuropsicológica e Intervenções Comportamentais – Eliane Correa Miotto – Roca – 2015
  • DSM – 5 Manual Diagnóstico Transtornos Mentais  5ª edição – 2014
  • Neuropsicologia – Teoria e Prática – Daniel Fuentes; Leandro Malloy – Diniz e Cols. Artmed- 2008

 

Viviane Rose de Melo – Psicóloga – CRP 04/ 24890 – 11 anos de atuação na Psicologia e Neuropsicologia Clínica Neuropsicóloga – Fumec/IPqHC-USP, Filiada a SBNP- Sociedade Brasileira de Neuropsicologia Reabilitação Neuropsicológica; Formação em Terapia Cognitivo Comportamental; Especializando em T.C.C Infantil e Adolescência pelo InTCC Coach – pelo IBC Tutor Cogmed – Treinamento da Memória Operacional; Screener de Irlen